19 julho, 2006

A Sanha

A Sanha*

Ao caminhar pelo escuro
A luz me chamou e bradou
A voz que não cala se acende
E o vento o frio trás com temor

As rosas que murchas caíram
E agora desabam um amor
Os tempos que mudam ansiosos
Trouxeram de volta uma flor

E a arvore que já sem raiz
Desaba ao longo caminho
Sem ver os teus traços viris
Vivi outra vez sem carinho

Um heliotrópio indescritível
Que o sol segue sem destino
Como o hausto mais forte
Que faz se perder o caminho

E a harpa que soa seu hino
Com ilustre cheiro do mar
Uma flama ardente na alma
Que segue a luz do luar

E a sanha que guardada esta
Se faz como um brado de dor
Venal se encontra meu coração
Á quem necessita de amor

Como provar uma drupa amarga
Precoce se põe o meu ódio constante
Que presente se faz como nirvana
O amor um presente distante

Sem vida se põe um ser vivo
Que vivo esta pela sanha
O amor que se faz tão distante
Do ódio mais fraco não ganha

O sol que sem estrelas revela-se
É como o ódio sem amor
Aos poucos uma luz rebanha-se
E invade-se o corpo com ardor

#Milene Szilagyi#

(2005)

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