A Sanha*
Ao caminhar pelo escuro
A luz me chamou e bradou
A voz que não cala se acende
E o vento o frio trás com temor
As rosas que murchas caíram
E agora desabam um amor
Os tempos que mudam ansiosos
Trouxeram de volta uma flor
E a arvore que já sem raiz
Desaba ao longo caminho
Sem ver os teus traços viris
Vivi outra vez sem carinho
Um heliotrópio indescritível
Que o sol segue sem destino
Como o hausto mais forte
Que faz se perder o caminho
E a harpa que soa seu hino
Com ilustre cheiro do mar
Uma flama ardente na alma
Que segue a luz do luar
E a sanha que guardada esta
Se faz como um brado de dor
Venal se encontra meu coração
Á quem necessita de amor
Como provar uma drupa amarga
Precoce se põe o meu ódio constante
Que presente se faz como nirvana
O amor um presente distante
Sem vida se põe um ser vivo
Que vivo esta pela sanha
O amor que se faz tão distante
Do ódio mais fraco não ganha
O sol que sem estrelas revela-se
É como o ódio sem amor
Aos poucos uma luz rebanha-se
E invade-se o corpo com ardor
#Milene Szilagyi#
(2005)
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